Compre como uma garota: como praticar o feminismo ao consumir

Vestir a camisa do feminismo é aplicá-lo no cotidiano estendendo a mão para mulheres: votando nelas, as incluindo no mercado de trabalho, apoiando as que sofrem violências físicas ou verbais, ajudando no processo de liberdade financeira, sexual ou de relacionamentos abusivos. E hoje nós apresentamos algumas dicas de como aplicar o movimento em mais uma parte do seu dia a dia: ao fazer compras! Abaixo, saiba como praticar o feminismo ao consumir:


Evite o consumo de fast fashions

As roupas das redes de fast fashion geralmente são feitas em países como Índia, Bangladesh e Serra Leoa. Nestes locais, mulheres entre 16 e 26 anos estão por trás das linhas de produção das peças e não é segredo para ninguém os abusos físicos e verbais que elas sofrem em suas extensas jornadas de trabalho em péssimas condições.

Cadeia produtiva de uma rede de fast fashion

Além do mais, para a roupa chegar em nosso mercado por um custo tão baixo, o salário delas é ainda menor. Por mês elas ganham cerca de USD 38, algo equivalente a R$ 200,00. Sendo assim, evitar o consumo dessas redes é praticar o feminismo ao consumir. Quer ficar por dentro da cadeia produtiva das marcas e saber quem tem histórico de abusos? O APP Moda Livre te dá essa mãozinha! 


Fique de olho nas modelos

Nós já comentamos por aqui sobre marcas com modelos reais na publicidade merecerem mais pontos, pois isso mostra que também produzem roupas para mulheres reais. Reparar esse item também é importante pois a moda tem um longo histórico de usar mulheres com beleza padrão, corpos magros ou com excesso de Photoshop para divulgarem seus produtos. Isso ainda acontece e a atitude apenas reforça a representação da mulher com estereótipos inalcançáveis ou negativos, pontos que o feminismo combate.


Ao falarmos de modelos reais na divulgação de produtos, fique atenta também na questão de mulheres negras na publicidade da marca, seja com influencers ou modelos. A população feminina representa 50% do Brasil e, deste percentual, 44% delas são negras e pardas. Uma marca sem modelos pretas no casting, em ensaios ou em sua publicidade ignora a importância da identificação do consumidor e da representatividade que essas mulheres trazem.


Modelos reais, de diferentes características, usando a mesma roupa do Achado.

Consuma de afroempreendedoras

Tomando como gancho a questão de modelos negras na publicidade das marcas, atente-se também para dar preferência ao empreendimento de mulheres negras. Não é segredo para ninguém que o racismo dificulta a entrada de pessoas negras no mercado de trabalho, e quando o assunto é se tornar empreendedor e dono de seu próprio negócio, essa barreira também está lá.


Uma vez que a questão racial está ligada com a luta de gênero, entender que mulheres pretas tem mais obstáculos para alcançar seus objetivos e estender a mão à elas nessa caminhada é essencial. Então considere consumir mais de afroempreendedoras/afroprodutoras.


Escolha marcas feitas por mulheres

Parece muito óbvio, mas muitas vezes não pensamos quem são os nomes por trás das marcas, sejam elas locais, grifes ou fast fashion. E isso vai além de saber o nome do(a) fundador(a) e de quem está atualmente no comando. É também saber quantas mulheres estão por trás de toda linha: no processo criativo, na costura, na divulgação, nas provações.

Peças de roupa feitas por uma mulher, a Camila, estilista do Achado.

Ao procurar o time da marca a ser consumida, questione se há mulheres nos cargos citados acima. Note se elas estão na diretoria ou ocupam cargos menores. Questione qual voz elas têm dentro da produção, quantas são e se há a inclusão de mulheres transexuais, homossexuais, negras, deficientes e afins.


Atente-se a quem usa o feminismo como mercadoria

A marca realmente se importa com o feminismo ou ela está somente seguindo um hype para lucrar em cima do movimento? Este ponto está muito atrelado à questão de escolher marcas feitas por mulheres, afinal, existe uma diferença entre apoiar o feminismo, fazer mudanças no mercado contratando mulheres, dando salários justos à elas, deixando que façam parte do processo criativo ou apenas se apropriar de símbolos da luta para lucrar.


Então, antes de comprar um produto de cunho feminista, busque saber se a empresa realmente faz algo para construir relações igualitárias e romper com as desigualdades sociais de gênero e sexo.

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