O que fazer com uma peça que chegou ao fim de sua vida útil?

Consumir conscientemente também engloba destinar de maneira adequada uma roupa quando ela chega ao fim de sua vida útil. O descarte incorreto é considerado crime ambiental, de acordo com a Lei nº 12.305/2010, por conta da grande poluição e danos ao ecossistema que pode causar. Sendo assim, o primeiro passo para descartar roupas corretamente é entender a importância desse processo.


Por que descartar roupas corretamente?

A cada ano o mercado têxtil cresce cada vez mais e esse aumento vem com o desperdício de tecidos que causam danos ambientais. A pesquisa mais recente sobre o tema nos traz alguns dados que esclarecem o quão prejudicial são os tecidos para o meio ambiente:

  • Anualmente 500 bilhões de dólares são jogados fora com roupas pouco usadas;

  • Só no Brasil geramos 170 mil toneladas de lixo têxtil por ano; a maioria das roupas acabam em aterros, nos quais a decomposição leva anos;

  • Em São Paulo são geradas cerca de 63 toneladas de resíduos têxteis por dia;

  • A cada segundo o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecidos é descartado em aterros sanitários no mundo;

  • A indústria da moda é responsável por 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa por ano;

  • Se continuarmos nesse ritmo de poluição com tecidos, até 2050 o setor será responsável por ¼ das emissões de carbono do planeta todo;

Diante de todos esses dados, descartar roupas corretamente passa a ser uma obrigação social com o meio ambiente.


Como ter certeza que a peça chegou ao fim de sua vida útil?

Os dados acima nos revelam que a maioria das roupas que vão para o lixo foram pouco usadas e poderiam ter passado pelo processo de reciclagem. Isso deixa claro que às vezes nos enganamos ao pensar que uma roupa chegou ao final de sua vida útil. Para sair dessa dúvida, basta se fazer algumas perguntas como:


Posso repassar essa roupa para frente? Uma amiga, doação ou a venda em brechós pode ser o destino daquela roupa que não serve mais, que não faz mais seu estilo ou que está só ocupando espaço no armário.


Há chances dela ser consertada?

Se a peça em questão tem um rasgo, perdeu o elástico, caiu um botão, o zíper está estragado ou algo semelhante, uma costureira pode resolver.


Existe a possibilidade de transformar essa roupa?

Caso um vestido esteja com uma mancha que não sai, tente fazer dele um lenço novo, uma tiara de cabelo ou até mesmo um pano de chão para limpeza da casa.


Se sua roupa não se encaixou em nenhum dos itens acima para salvação, então chegou mesmo o momento dela ser mesmo descartada.


Como descartar roupas corretamente

A reciclagem é a melhor opção para o descartar roupas. Neste processo, os tecidos são transformados em fios (processo de desfibrilação) e são reutilizados como matéria-prima para fabricação de novos produtos.


Mesmo sendo a opção mais viável para um roupa que chegou ao fim de sua vida útil, a reciclagem tem uma adesão pequena por parte da população uma vez que menos de 1% das fibras têxteis usadas na produção de roupas são recicladas e destinadas para a produção de novas peças. Bora mudar esse cenário?


No Brasil existem 21 empresas que fazem reciclagem de tecidos, segundo uma busca da pesquisadora Mariana Amaral. Com um Google rápido, é possível achar uma na sua cidade e fazer sua parte pelo meio ambiente.


Logística reversa

O processo de logística reversa consiste em responsabilizar as empresas ou marcas pelo descarte sustentável de suas peças produzidas. Sendo assim, caso você não encontre com facilidade um lugar para fazer a reciclagem de uma peça, você pode entrar em contato com o fabricante para saber se há a chance de devolver o item ou se eles tem uma solução para reuso ou reciclagem.


Algumas marcas já trabalham com programas de coleta de peças para reciclagem, como a C&A, que segue com o Movimento Reciclo em que há uma urna para esse descarte nas lojas (o site indica quais são essas lojas) e é possível deixar lá roupas de vestuário, de cama, tecidos e retalhos, roupas de praia, bonés, cachecóis e lenços. As peças não precisam ser necessariamente da marca.


A Puket também trabalha com a ideia de urnas em suas lojas, mas com o foco em descarte de meias furadas, rasgadas ou sem par. O projeto Puket leva o nome de Meias do Bem, pois as peças recolhidas são transformadas em meias novas ou cobertores e são destinadas às instituições sociais.


* Se você é de São Paulo e o tema te interessa, é possível acompanhar a quantidade de resíduos têxteis gerados na cidade desde 2017 por meio da plataforma Residometro. Com ele é possível coletar dados como a queda de 62% de resíduos têxteis durante o período de isolamento social na cidade.

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