Rihanna e o show de representatividade na moda

Quando a Rihanna chegou no mercado de moda em 2018, todos imaginavam que ela traria peças ousadas, mas ninguém pensou que a cantora estava mesmo era preparando um mercado tão inclusivo. Ela foi responsável pela virada de chave do que é beleza no segmento de lingeries, até então liderado pela Victoria’s Secret, que centrava o padrão de beleza magro e europeu em suas modelos.


Nas próprias palavras de Rihanna, sua marca é sobre respeito, sobre ser você assumidamente e abraçar sua individualidade. É impossível não sentir toda essa vibração apenas olhando um desfile da Savage X Fenty, o Instagram da marca ou até mesmo o site de vendas. E para te deixar por dentro desse show de diversidade, separamos aqui alguns pontos em que a marca mostrou o que é representatividade:


Pessoas negras

O racismo dentro do ambiente da moda não é segredo para ninguém. Não vemos uma grande quantidade de negros em capas de revistas de moda, representando grandes marcas ou em passarelas das fashion weeks (tanto é que recentemente a SPFW instituiu cota racial obrigatória para os desfiles).


Mulheres negras não estão blindadas do racismo nem mesmo quando chegam no auge da carreira de modelo, como Naomi Campbell já relatou diversas vezes. Pelo seu tom de pele ela já teve suas campanhas vetadas em alguns países, recebeu menos que outras modelos brancas e já foi barrada de entrar em um hotel durante o festival de Cannes.


Porém esse cenário é diferente quando se trata da Savage X Fenty. Mulheres e homens negros são a maioria nos editoriais, na página de venda dos produtos, nas fotos Instagram e nos desfiles. A preferência por modelos negros é gritante na marca de Rihanna, desde os de pele clara até os retintos.

Cabelos naturais

Quando falamos de pessoas negras, há um peso em relação ao uso de seus cabelos naturais ou estilos de cabelo que envolvem a cultura negra. Alguns casos de destaque na mídia simplificam essa discriminação, como o do cabelereiro Wilson Eliodorio, que ao tratar do cabelo da modelo negra Mariana Vassequi, disse em vídeo que "Esse cabelo ou essa pessoa é um filhote de patrão, porque o patrão comeu uma escrava e gerou isso aqui."


A modelo Londone Myers também já fez um desabafo em suas redes sociais sobre ignorarem a arrumação de seus cabelos afros nos backstages de desfiles. E os casos de racismo em relação aos cabelos de pessoas negras não existem somente na moda. Em julho de 2020, a esteticista e palestrante Cristiane Boneta relatou que recebeu da recepcionista de um consultório odontológico sacos de lixo para colocar no cabelo, com a justificativa de que seu black power não cabia na touca.


A variedade de cabelos da cultura negra é infinita: cachos que vão do 2A ao 4C, crespos, black power, tranças box braids, twists, dreadlocks, entrelaçamento e muito mais. E ao trazer um grande número de modelos negros para sua marca, como citamos acima, Rihanna também trouxe a liberdade deles usarem seus cabelos afros como bem entenderem.


Corpos reais

Nós já falamos por aqui sobre como a moda, a passos lentos, foi deixando de padronizar corpos femininos e definir a magreza como o belo. E é claro que esse é um dos pontos mais visíveis da Savage X Fenty.


Rihanna acerta em cheio ao trazer a diversidade de corpos vendendo lingeries, principalmente quando nossa maior representação de roupa íntima no mercado era Victoria’s Secret, que com suas modelos passava uma mensagem de que só era possível ser sexy sendo magra.

Mulheres com estrias, celulites, corpos voluptuosos, magros, baixos e tudo mais que existe está ali, sendo mostrado nas lingeries a venda, dizendo que é possível ser sexy com qualquer tipo de corpo. Até mesmo no outubro rosa Rihanna surpreendeu, trazendo mulheres que passaram pelo câncer de mama e tiveram seus seios retirados vestindo as peças da marca e contando suas histórias de resiliência e superação.

A diversidade de corpos na Savage X Fenty também é vista nos homens. Na apresentação de sua última coleção, em outubro de 2020, Rihanna revelou que agora também venderia roupas íntimas masculinas. O modelo que mais chamou a atenção no desfile e abriu uma discussão nas redes sociais era um homem gordo.



Mulheres grávidas

O período de gravidez e início da maternidade dificulta a vida de mulheres em sociedade e no mercado de trabalho. Mas no espaço inclusivo da Savage X Fenty elas são lembradas.


O primeiro desfile da marca, em setembro de 2018, não só trouxe mulheres grávidas na passarela, como também nos apresentou lingeries delicadas e sexys para essas mulheres, com o intuito de dizer que elas merecem se sentirem bem, representadas e desejadas nesse período da vida também.


Terceira idade

A quebra de estereótipos de Rihanna na moda também se dá com a idade. Por mais que essa seja uma atitude de inclusão, a estratégia também é ótima para o crescimento das vendas. Isso porque, segundo a pesquisadora Andrea Greca, 49% das pessoas acima de 60 anos desejam aproveitar a vida consumindo, mas essas pessoas não costumam se ver na publicidade, seja de moda ou qualquer outro segmento, sendo assim, quando elas se veem nas publicidades, é ali que depositam seu dinheiro.


A primeira vez que Rihanna escalou uma modelo com mais idade para sua campanha foi em 2019. JoAni Johnson, com 67 anos e cabelos grisalhos, desfilou pela marca em Paris e posou para vídeos e fotos da Savage X Fenty.


Deficiência

Em 2019 um dos rostos que mais chamou a atenção pela inclusão na campanha da Savage X Fenty foi um modelo com visão monocular, uma espécie de cegueira que deixa os olhos com aparência esbranquiçada.


A inclusão do modelo na campanha repercutiu no ambiente digital. Houve quem agradeceu a Rihanna, por representar ali sua deficiência, e houve também os que questionaram não terem mais modelos com deficiência no casting.




Universo queer

Na última apresentação de sua coleção, pela primeira vez Rihanna escalou uma mulher trans para vestir as lingeries da Savage X Fenty. A escolhida foi a modelo transexual Memphis Murphy.


O universo queer também foi muito bem representado pela drag queen vencedora da décima segunda temporada de RuPaul's Drag Race, a Gigi Goode. Em sua conta do Instagram, a drag disse que se sentiu abençoada e honrada de fazer parte deste momento icônico!


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